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Marca das criações e trabalhos de Manoel Nerys

segunda-feira, 24 de março de 2025

ARTE SACRA: CRISTO RESSUSCITADO AMAZÔNICO de Manoel Nerys

 MISTAGOGIA DA ARTE CRISTO RESSUSCITADO AMAZÔNICO 

De Manoel Nerys

Manacapuru 24 de março de 2025



A ilustração "CRISTO RESSUSCITADO AMAZÔNICO" é uma obra sacra de Manoel Nerys, que nos convida a uma reflexão mistagógica da vida nova em Cristo, na realidade Amazônica. Vamos explorar os elementos que compõem essa arte, revelando suas riquezas simbólicas e teológicas:


Cristo Ressuscitado com rosto Amazônico

O Cristo Ressuscitado, com rosto Amazônico, sentado na relva, nos mostra que a ressurreição de Cristo é uma realidade que se manifesta em todas as culturas e contextos. As feridas da paixão, ainda visíveis, lembram-nos do sacrifício de Cristo e da sua vitória sobre a morte.

Círculo em tons verdes

O círculo em tons verdes claros e escuros representa a vida, a natureza e a harmonia. O verde também simboliza a esperança e a renovação, lembrando-nos da promessa de vida eterna que Cristo nos oferece.

Tronco de árvore cortada nascendo novo broto

O tronco de árvore cortada, com um novo broto saindo dele, é um símbolo poderoso da ressurreição. A árvore cortada representa a morte, a destruição da obra da Criação de Deus pelo pecado da cobiça humana, mas o novo broto mostra que a vida pode surgir novamente, graças à ação de Deus nos corações daqueles que lutam pela vida. A água que rega o broto é a água da vida, que flui das feridas de Cristo.

Plantas e folhagens

As plantas e folhagens que rodeiam o Cristo Ressuscitado remetem à biodiversidade da Amazônia, destacando a beleza e a riqueza da criação. Essas plantas também simbolizam a vida, a esperança e a renovação.

Sol e lua

O sol e a lua, presentes na imagem, representam a luz e a vida que Cristo nos oferece. O sol simboliza a luz da verdade, A Luz de Cristo, o Sol que não tem ocaso, enquanto a lua representa a luz da graça.

Mão do Pai

A mão do Pai, que ressuscitou o Filho, é um símbolo da ação de Deus na história. Essa mão nos lembra da onipotência e do amor de Deus.

Espírito Santo

O Espírito Santo, representado por uma pomba branca, é o símbolo da presença de Deus em nossas vidas. A pomba branca também representa a paz, a pureza e a graça.

Círio Pascal com as letras gregas alfa e ômega

O Círio Pascal, presente na imagem, é um símbolo da luz da ressurreição. O círio nos lembra da vitória de Cristo sobre a morte e da esperança que temos na ressurreição. Com as letras Alfa e Ômega nos recorda que Cristo é o princípio e o fim de nossas vidas e tudo que existe.

Casas palafitas, canoa e vitória-régia

As casas palafitas, a canoa e a vitória-régia são elementos que remetem à cultura e à vida cotidiana da Amazônia. Esses elementos nos lembram da importância de inculturar a fé e de respeitar a diversidade cultural do nosso povo, de nossas comunidades.

Peixes com características do jaraqui

Os peixes com características do jaraqui, presente na imagem, são um símbolo da abundância e da vida que Cristo nos oferece. O jaraqui também é um peixe típico da Amazônia, destacando a riqueza da biodiversidade da região.

ESTILO ICONOGRÁFICO AMAZÔNICO

A ilustração "CRISTO RESSUSCITADO AMAZÔNICO" de Manoel Nerys é uma obra Sacra Litúrgica que combina elementos da iconografia clássica com o estilo amazônico litúrgico, criando uma representação única e poderosa da ressurreição de Cristo.

A ilustração se inspira na iconografia clássica, com elementos como:

- A representação de Cristo Ressuscitado com as feridas da paixão, simbolizando a vitória sobre a morte.

- A presença da cruz, lembrando o sacrifício de Cristo.

- A utilização de cores e símbolos tradicionais da iconografia cristã.

O Estilo Amazônico Litúrgico

No entanto, nosso Trabalho também incorpora elementos do estilo amazônico litúrgico, como:

- A representação de Cristo com traços amazônicos, destacando a inculturação da fé.

- A presença de elementos da natureza amazônica, como plantas, árvores e animais.

- A utilização de cores e padrões típicos da arte amazônica.

A combinação desses dois estilos cria uma obra que é ao mesmo tempo tradicional e inovadora. A ilustração "CRISTO RESSUSCITADO AMAZÔNICO" de Manoel Nerys é um exemplo de como a arte pode ser utilizada para expressar a fé de maneira autêntica e contextualizada.

Essa obra é um testemunho da riqueza cultural e espiritual da Amazônia e da capacidade da arte de unir tradição e inovação.


O Autor

Manoel Nerys de Almeida

Artista Sacro Amazônico.



sexta-feira, 7 de junho de 2024

A Arte amazônica de Manoel Nerys, um presente entregue ao Papa Francisco.


Durante uma audiência na manhã de segunda-feira, 3 de junho, no Vaticano, Roma, as presidências, secretarias executivas e assessores da CEAMA e REPAM foram recebidos pelo Papa Francisco, em um encontro histórico e significativo. Esta é a primeira reunião oficial entre o pontífice e essas organizações sociais que atuam no nosso território amazônico. E como presentes simbólicos, representando a nossa amazoneidade, foram entregues presentes ao Pontífice, entre os presentes está uma bolsa de algodão que traz uma estampa com o título" Cristo aponta para a Amazônia". 








A ilustração é uma obra em arte gráfica do Artista Manoel Nerys. "A sua composição, traz o Cristo com traços indígenas num gesto de indicação para uma direção, a Amazônia; uma casa palafita, tipo de moradia tradicional da região das beiras dos Rios Amazônicos feita de madeira, com assoalho bem alto com relação ao nível do chão, por causa das enchentes. Rostos das populações que habitam a região formando um mosaico de cores e formas, que expressam a diversidade dos povos com suas diversas culturas. A arte contempla também a biodiversidade da fauna e Flora do nosso bioma amazônico nas plantas que adornam o desenho. Uma cruz corta o desenho e dela brota ramos verdes, ilustra a fé de um povo que crê em Deus Paí Criador do céu e da terra, que ama a ponto de dar a própria vida pelos seus filhos, no seu filho." (O autor).

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

A CONSTRUÇÃO DA LOGO DOS 160 ANOS PARÓQUIA N. S. DE NAZARÉ MPU

EXPLICAÇÃO DA LOGO PARA O JUBILEU DE 160 ANOS DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE NAZARÉ – MANACAPURU – DIOCESE DE COARI AM.

Por Manoel Nerys



Os elementos simbólicos que compõem o desenho querem trazer presentes alguns elementos identitários da história da nossa Paróquia nesses 160 anos:

A imagem no todo apresenta a figura da elevação do Pão Eucarístico a hóstia consagrada, erguida por sobre o horizonte da Palavra, como um Sol Nascente, para lembrar que a Igreja nasce e vive por causa da celebração da memória pascal de Cristo. Como o Papa João Paulo II, afirmou que “a Eucaristia é o sacramento da Igreja que constrói a Igreja”. (JOÃO PAULO II. Dies Domini 1998).

O numero 160 na base. É o ano, tempo.

- A igreja Matriz centenária: construída originalmente toda em estilo neoclássico no século XIX. Ela é um dos principais monumentos históricos da cidade e representa a fé católica dos seus habitantes, como a casa sobre a rocha: “E eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mateus 16,18)

- A imagem de Nossa Senhora de Nazaré: é a padroeira da cidade e da freguesia de Manacapuru. Nós a veneramos e celebramos essa devoção pela Mãe de Jesus Cristo levando a sua imagem em procissão todos os anos no ultimo domingo de outubro, dia da festa da padroeira onde toda a paroquia pede a Virgem Maria, intercessão pelas necessidades do povo de Manacapuru - (João 2,1-12) Por isso a Imagem se agiganta por sobre as casas.

- As casas populares do início da história: o desenho traz construções típicas da época da fundação da cidade, taperas feitas de madeira e cobertas de palha ou telhas. Elas refletem a simplicidade e a cultura dos primeiros habitantes de Manacapuru, que eram em sua maioria índios da etnia Mura. São ninhos de passarinhos, que acolhem com aconchego o Filho do homem, como presépios para que ele recline a cabeça. (Lucas 9,58)

- A seringueira e a castanheira: são árvores nativas da Amazônia, que tiveram grande importância econômica e ecológica para a região. A seringueira produz o látex, matéria-prima da borracha, que foi um dos principais produtos de exportação da economia de Manacapuru no século XIX e início do século XX época conhecida como “tempos áureos da borracha”. A Castanheira produz a castanha da Amazônia , um fruto rico em nutrientes e muito apreciado na culinária local. Muito importante para a economia local, como a seringueira formavam grandes áreas de seringais e castanhais onde famílias inteiras garantiam seu sustento como os seringueiros e os quebradores de castanha, nativos que formaram os primórdios da Igreja local. Eles viviam uma plena comunhão e harmonia com a criação “projeto de amor de Deus para a humanidade. […] A natureza não é apenas um bem que podemos explorar sem limites, mas é um dom do qual somos responsáveis, e que devemos transmitir às gerações futuras.” (Laudato Si’, 67)

- A cruz Redentorista: tendo o formato em perspectiva a cruz do desenho faz parte do símbolo da congregação dos Missionários Redentoristas, que chegaram em Manacapuru em 1943 e foram responsáveis pela evangelização e pela assistência social da população. Desde então têm trabalhado para estabelecer e fortalecer a Igreja Católica na região. Os missionários redentoristas desempenharam um papel importante na formação da Igreja Católica em Manacapuru. A cruz tem as letras CSSR, que significam Congregatio Sanctissimi Redemptoris (Congregação do Santíssimo Redentor). A Cruz é sinal de Redenção, de Vitória da Vida sobre a morte, é símbolo do Amor maior. Ela nos lembra o Amor Deus ao mundo, no qual Amou de tal maneira que deu o seu Filho unigênito.” (João 3,16) A  Congregação dos Missionários Redentoristas ajudou a construir igrejas, escolas e hospitais em nosso município e realizaram missões para evangelizar a população local. Além disso, foram responsáveis por formar muitos padres e líderes religiosos locais, na zona urbana e rural que continuam a servir a comunidade até hoje.

- O Cordeiro Pascal com as gotas de Sangue derramando: é uma representação do sacrifício de Jesus Cristo, que morreu na cruz para salvar a humanidade dos seus pecados. “Este é o meu sangue da aliança, que é derramado por muitos para remissão dos pecados.” (Mateus 26,28) no coração com sangue derramando nos lembra a congregação das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo, que junto com os

Redentoristas nos ajudaram a edificar esta Igreja.

- As irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo: por cima do coração temos as Letras ASC, que são as iniciais dessa Congregação, são uma congregação religiosa feminina, que se dedica à adoração do Sangue de Cristo e à promoção da justiça e da paz. Elas chegaram em Manacapuru em 1958 e trabalham na educação administrando os trabalhos do Colégio N. S. de Nazaré (na Imagem junto a Igreja centenária) , na saúde e na pastoral. As três gotas no Coração lembram o Sangue de Cristo que é o penhor da vida eterna, é a fonte da misericórdia divina, é o sinal da aliança eterna, é a força que purifica as consciências dos atos mortos. (Laudato Si’, 236)


- Faixa de mosaico colorido: Na linha horizontal do meio do Sol temos um mosaico colorido, de onde surgem figuras geométricas harmônicas, que dão ideia de espaços urbanos, moradias, formando um pano de fundo de retalhos da história. Representam a diversidade de dons e carismas, mas um só Espírito. Pois, os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. (I Coríntios 12,4-5).

Aí estão inseridos, pessoas , instituições que também queremos homenagear. Lembrando aqui todas as congregações religiosas que trabalharam em nossa paróquia. Citamos as Irmãs Franciscanas Amaricanas, as Irmãs Doroteias, Os Padres, e os missionários leigos das Missões Estrangeiras. Mas, também nossos missionários e missionárias leigos e leigas filhos das terras de Manacá, que teceram seu pedaço de retalhos neste grande pano de nossa história ( são Helósias, Venâncios, Marias Piedades, Josefas e Dolores, Lineides, Rondons, e tantos e tantas que fizeram e ainda fazem de sua vida uma missão neste chão.


- O Rio Solimões, o Rio Manacapuru e o Rio Miriti: representados nas linhas onduladas abaixo do livro aberto(Bíblia) estão os principais rios que banham a cidade de Manacapuru e que fazem parte da bacia hidrográfica do Amazonas. O Solimões na cor amarelado, o Rio Manacapuru na cor azul escuro e o Rio Miriti em tom de azul mais claro. Eles são fontes de vida, de transporte, de lazer e de pesca para os moradores da região. A água potável e limpa é um direito humano básico, porque é indispensável à vida e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos. […] A água desses rios são um bem comum que deve servir ao bem comum de todas as famílias de

Manacapuru .” (Laudato Si’, 30)


- O Altar Canoa da Igreja Matriz: feito de madeira em forma de canoa, é o Altar da Igreja matriz de Nossa Senhora de Nazaré. Ele simboliza a cultura ribeirinha, a devoção dos fiéis à padroeira da cidade. É símbolo da boa Nova que percorre os confins das estradas fluviais da área da Paróquia pelos seus missionários. “A cultura popular é um tesouro de sabedoria e valores. […] A cultura é mais do que bens culturais e serviços; é um modo de vida, um conjunto de valores e significados que são transmitidos através das gerações e que dão sentido à existência.” (Laudato Si’, 143)


- A Bíblia: é o livro sagrado da Igreja Cristã, que contém a palavra de Deus revelada aos homens através dos profetas, dos apóstolos e de Jesus Cristo. Ela é a fonte de fé, de esperança e de amor para os que creem em Deus. “Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos pelo seu Filho” (Heb 1, 1-2). Cristo, Filho de Deus feito homem, é a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai, (CI 65) que foi anunciada aos nossos pais e avos e congregou nossos antepassados ao redor desta Palavra para formar a Igreja nas terras de Manacapuru. O livro aberto faz memória dos inúmeros catequistas, ministros da palavra que muitas vezes foram alfabetizados lendo a bíblia cumprindo então a palavra que diz que “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para instruir na justiça.” (2 Timóteo 3,16)


- A rede de pesca e os peixes: são elementos que representam a atividade pesqueira, que é uma das principais fontes de renda e de alimentação dos habitantes de Manacapuru. A rede de pesca também simboliza a missão dos cristãos de serem pescadores de homens, ou seja, de anunciarem o evangelho de Jesus Cristo a todas as pessoas. “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” (Mateus 4,19) Os peixes na rede são os frutos da missão da Igreja de Manacapuru.


Os peixes: Na história da Freguesia de N. S. de Nazaré houve uma feitoria de pesca que existia na margem do rio Solimões, pouco abaixo da foz do rio Manacapuru, no final do século XVIII. Era responsável pelo abastecimento de peixes para a guarnição militar de Barcelos, que era a sede da Capitania do Amazonas antes de Manaus.

O peixe é um recurso natural abundante na região de Manacapuru e é uma importante fonte de alimento e renda para a população local. A pesca é uma das principais atividades econômicas da região e é responsável por fornecer empregos e sustento para muitas famílias.

A imagem do peixe para o povo ribeirinho é sacramental, é mística, lembra a história de Jesus alimentando seus discípulos com peixe assado no beiradão após sua ressurreição (João 21,1-14). Ao remeter a esta história o desenho nos faz refletir sobre a generosidade de Deus, o peixe é um símbolo da abundância e do espirito generoso dos caboclos que se fazem devotos da partilha. 


Manoel Nerys

Artista Sacro, nas Artes visuais, Músico, Cantor, Compositor, Designer Gráfico.

Ministro Extraordinário da Palavra - Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro-Biribiri, Paróquia Nossa Senhora de Nazaré _Mancapuru - Diocese de Coari-AM.

sábado, 9 de dezembro de 2023

DONA HELÓSIA A 1ª MISSIONARIA DO BIRIBIRI † 02. 12. 2023


Em homenagem à memória de Helósia da Costa Pinheiro que fez sua pascoa no dia 02 de dezembro de 2023, gostaríamos de compartilhar algumas palavras que possam confortar aqueles que a amavam e sentem sua falta.

A morte de um ente querido é sempre difícil, mas é importante lembrar que o amor e as memórias que compartilhamos com essa pessoa nunca morrem. Dona Helósia vive em nossas lembranças e em nossos corações, e é lá que ela permanecerá para sempre.

Helósia da Costa Pinheiro foi uma pessoa muito especial, que tocou a vida de muitas pessoas com sua bondade, sabedoria, simplicidade e amor. Ela foi a grande líder matriarcal na história da comunidade, juntamente com seu esposo José Tomas. Ela fundou nossa Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Biribiri. Foi muito ativa e atuante em diversas atividades pastorais da igreja. Participou do apostolado da oração e da Legião de Maria. Ela também foi uma grande incentivadora da Infância Missionária e do clube de jovens, no qual o grupo JUCRIS teve início com sua presença animadora. Iniciou os círculos bíblicos ainda quando não havia uma capela, mas somente caminhos e casas simples. Ela foi uma grande catequista e sempre teve um grande apreço pela palavra de Deus.

Foram muitas gerações de catequizados por ela. E ficou marcado na memoria de todos aqueles que passaram por sua sala sagrada de catequese na infância e adolescência. Éramos catequisados pela sua voz rouca, de densidade baixa, que ficou fazendo eco até hoje em nossa mente e coração. Além disso todo aquele ambiente de casa simples, e cheiro de pão, aquela mesa com a bíblia aberta, uma chama acesa consumindo uma vela, que não se findava, com uma cruz feita de madeira, de cor creme com o crucifixo em negrito parecíamos estar diante de um altar celestial. Aquele ambiente com a sua presença era tão sagrado quanto estar na capela da Igreja. E ao final do encontro catequético tinha de vez em quando uma guloseima de sua culinária caseira: broas, pães e canudinhos, eram o nosso maná, distribuídos por ela.

Os círculos bíblicos eram uma parte importante da vida religiosa de Dona Helósia. Ela iniciou os círculos bíblicos ainda quando não havia uma capela, mas somente caminhos e casas simples, sem energia elétrica, à luz de lamparinas realizava as novenas de natal. Eles eram uma oportunidade para as pessoas se reunirem e estudarem a Bíblia juntas, compartilhando suas ideias e aprendendo uns com os outros. Dona Helósia era de uma mística missionária ímpar. Ela acreditava que os círculos bíblicos eram uma maneira importante de crescer em sua fé e de se conectar com outras pessoas que compartilhavam sua paixão pelas coisas de Deus.

A devoção de Dona Helósia a Nossa Senhora era notável. Ela sempre foi uma grande defensora da fé e da devoção a Maria. Sua devoção a Nossa Senhora era uma fonte de inspiração para muitos e uma demonstração de sua profunda fé e amor a Deus.

Embora ela não esteja mais conosco, seu legado e memória viverão para sempre em nossos corações. Que a família e os amigos de Dona Helósia encontrem conforto e paz em suas memórias e no amor que ela compartilhou com eles. Que eles possam encontrar força e esperança em saber que ela está desfrutando da gloria da vida eterna em Deus, livre de dor e sofrimentos.

Cuias de gratidão,

Manoel Nerys


 

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Advento: Vigilância, profecia, alegria e anúncio



Arte Sacra Advento de Manoel Nerys 






 O Advento é um tempo de preparação e expectativa para o Natal, a celebração do nascimento de Jesus Cristo. O Advento também nos lembra da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos, quando Ele virá em glória para julgar os vivos e os mortos. O Advento tem origem na palavra latina adventus, que significa "chegada" ou "vinda". O Advento começou como uma prática cristã no século V, quando São Perpétuo, bispo de Tours, estabeleceu um jejum de três dias antes do Natal. No século IX, o Advento foi reduzido a quatro semanas, como se lê numa carta do Papa São Nicolau I aos búlgaros¹. O Advento é marcado por símbolos como a coroa do Advento, que tem quatro velas que representam as quatro semanas e a luz de Cristo; o calendário do Advento, que tem 24 janelas que se abrem a cada dia até o Natal, revelando imagens ou mensagens relacionadas à história do nascimento de Jesus; e as cores litúrgicas do Advento, que são o roxo, que simboliza a penitência e a conversão, e o rosa, que simboliza a alegria do terceiro domingo do Advento, chamado de Gaudete. O Advento é um tempo de oração, reflexão, arrependimento e esperança, em que os cristãos se preparam para receber o Salvador em seus corações e em suas vidas. 

Manoel Nerys
Artista Sacro



Referências 
(1) ADVENTO: ORIGEM, SIGNIFICADO, SÍMBOLOS - Nossa Sagrada Família. https://www.nossasagradafamilia.com.br/blog-da-familia/advento-origem-significado-simbolos.
(2) ADVENTO: ORIGEM, SIGNIFICADO, SÍMBOLOS - Nossa Sagrada Família. https://www.nossasagradafamilia.com.br/blog-da-familia/advento-origem-significado-simbolos.
(3) Advento: significado e origem | Arquidiocese de Campo Grande. https://arquidiocesedecampogrande.org.br/advento-significado-e-origem/.
(4) Advento: o que é e qual o significado para os cristãos. https://www.significados.com.br/advento/.
(5) . https://bing.com/search?q=origem+do+Advento+para+o+cristianismo.
(6) undefined. https://gaudiumpress.org/content/99577-porque-o-advento-significado-origem-comemoracao/.
(7) undefined. https://xaverianos.org.br/noticias-e-artigos/teologia/674-a-historia-do-advento.

sábado, 18 de novembro de 2023

LOGO DA ASSEMBLEIA DIOCESANA DE PASTORAL DIOCESE DE COARI-AM 2023

 

Logo Assembleia Diocesana de Pastoral da Diocese de Coari AM.

A ilustração da Arte da Assembleia Diocesana de Pastoral da Diocese de Coari AM, 2023, foi inspirada num estilo de arte sacra que valoriza o uso de linhas essenciais para dar forma a imagem difundida pelo grande artista Sacro Cláudio Pastor. 

A figura com barba e cabelos longos, vestindo uma túnica e com braços envolvendo o grupo de pessoas reunidas, traz a imagem do corpo místico de Cristo que é a Igreja (1Cor 12, 12-27); 

A árvore, representa a vocação a vida cristã, evidenciando o Tema da Assembleia 2023. e a vivência  dos sacramentos, nesta Igreja Sinodal. A árvore é símbolo da vida, da criação e da diversidade, e o pássaro representa o Espirito Santo derramando os Dons e Carismas sobre a Igreja reunida. a liberdade, a alegria e a missão. A figura também segura um livro com uma cruz, que indica a Palavra de Deus e a fé cristã. O fundo amarelo sugere a luz, a esperança e a ressurreição. A silhueta da cidade no canto inferior direito mostra o contexto urbano onde a Igreja está inserida e chamada a evangelizar. O texto no canto superior esquerdo é o tema da Assembleia Diocesana de Pastoral 2023 da Diocese de Coari, que é uma região da Amazônia brasileira. O texto no canto superior direito é o nome do evento e da diocese. A ilustração tem um estilo simples

Os Símbolos dos Sacramentos da Iniciação Cristã

Batismo, Confirmação e Eucaristia são chamados “Sacramentos de Iniciação cristã”, pois introduzem a pessoa numa vida nova (Filho de Deus), com tarefas dentro e fora da Igreja (testemunho de vida), levando-a a perfeita sintonia (comum-união) com Deus e com a Comunidade – Igreja, Povo de Deus.

Daniel 4,19

[19]esta árvore, és tu senhor, que te tornaste grande e poderoso, cuja altura crescente atingiu os astros, cuja dominação estende-se até os confins da terra.

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

BRASÃO DA DIOCESE DE COARI-AM

 


Descrição Heráldica: Escudo cortado em três partes. Um lado verde com a figura de Sant’Ana, carregando nas suas mãos o livro da Lei de Deus, ensinando Maria Mãe de Jesus ainda mocinha. O segundo lado de azul, com a figura de uma arvore e uma arara de asas abertas. Ao centro a Eucaristia sobre um altar de canoa com dois remos, passados em aspa, um deles carregado das letras grega “IC” em vermelho, e o outro carregado das letras “XC”. A terceira parte traz as cores marrom e creme em faixas onduladas num movimento de ondas de rio. Dois peixes (jaraqui) de prata com as listras nas caudas. Listel com a legenda, em marrom escuro, “Diocese de Coari”. O todo é encimado por uma mitra de ornada de ouro, forrada de vermelho, com suas ínfulas pendentes que trazem em cada lado o monograma XP com as letras grega alfa (A) e ômega (Ω) de vermelho e ouro. Na borda da Mitra e centro traz arabescos de grafismo indígena em ouro e no campo branco da mitra tem 7 canoas acompanhadas de um remo. Escudo brocante sobre uma cruz processional de madeira roliça e um báculo do mesmo com três folhas de broto, passados em aspa.

Descrição Simbólica:

A imagem da Padroeira da diocese Sant’Ana ensinando nossa Maria, a Santíssima Mãe de Deus é uma prece para que ela nos ensine também a seguir sempre com zelo os preceitos do nosso Deus. O fundo verde, simboliza a natureza, toda a beleza da criação de Deus. É cor da natureza viva, é uma referência ao crescimento, à renovação e à plenitude. O verde nos lembra a virtude da esperança, o valor da liberdade. A Igreja Diocesana é Amazônica, revestida de esperança em Cristo, como diz São Pedro: "Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Na sua grande misericórdia ele nos fez renascer pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança," (1Pd 1, 3)

O fundo azul reafirma o simbolismo Mariano, na qual grande número das paróquias atuais trazem como padroeira um título de Nossa Senhora. A arvore e a arara, no campo azul nos dizem: Tudo está interligado na vida da diocese, a ação pastoral da desta diocese é assumida geopoliticamente: (geo) no cuidado com a Criação (política), no cuidado com os bens da Casa Comum representados pela árvore - flora e a arara – animal da fauna amazônica. Esse compromisso é bem claro nos documentos históricos da Diocese. A Igreja Diocesana chegará mais longe sempre tecendo os caminhos do bem viver e do bem conviver com os outros e também com os bens da criação. A árvore sinal da flora amazônica é uma figura representativa do ciclo da Vida da Igreja semeada nas terras dessa parte do médio Amazonas, pelos primeiros missionários que aqui passaram semeando o Evangelho, que brotou e cresceu se tornando uma frondosa arvore fonte de vida, esperança e fé no coração do povo Amazonense.

Ao centro a Eucaristia sobre um altar de canoa com dois remos, indicando a centralidade da nossa fé que é marcadamente Cristocêntrica. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória. (Cl 3,4) A Diocese é a casa do Pão Eucarístico.

Os remos passados em aspa, carregam as letras gregas “IC” em vermelho, e o outro com “XC”. Na iconografia ortodoxa grega, assim como na iconografia cristã inicial, a posição da mão que abençoa forma as letras IC XC, uma abreviatura das palavras gregas Jesus (IHCOYC) Cristo (XPITOC) que inclui a primeira e a última letra de cada palavra. "O altar canoa e os remos sobre a água, simbolizam a fé celebrada nas comunidades encharcadas da força determinante dos rios, que na enchente inundam cidades inteiras no território da nossa Diocese, onde o Sacrifício Pascal de Cristo se une no altar inundado, aos sacrifícios da vida do povo ribeirinho, trabalhadores incansáveis que, em um período que corresponde a meses, utilizam-se deste meio de transporte para o seu ir e vir, no celebrar e no labutar.

Nas cores marrom e creme as faixas onduladas que dão sentido de movimento de ondas de rio. Representam os nossos caudalosos rios da nossa bacia amazônica, que trazem esses tons barrento, como o grande Solimões e os rios escuros cor de café fonte de sustento para toda população de nossa Diocese. A cor marrom, nos remete aos barrancos, e ainda o chão, Solo, nosso chão de missão a qual fomos chamados a assumir o anúncio do Evangelho, a boa Nova semeada no chão da Diocese, para que vivam com liberdade e dignidade todos os filhos deste chão sagrado. Cristo aponta para a Amazônia (cf. Paulo VI, Mensagem aos peregrinos de Belém do Pará, 10.10.1971). Ele liberta todos do pecado e outorga a dignidade dos Filhos de Deus. A escuta da Amazônia, no espírito próprio do discípulo e à luz da Palavra de Deus e da Tradição, nos conduz a uma profunda conversão dos nossos planos e estruturas a Cristo e ao seu Evangelho.

Os Dois peixes jaraqui de prata com as listras nas caudas. Os peixes, são de uma riqueza abundante nas águas dos nossos rios, e o jaraqui é uma espécie icônica da região. E aqui no brasão ele expressa a frase: Iesus Christus Theou Yicus Soter, que em português significa “Jesus Cristo, de Deus o Filho Salvador”. E se pegarmos algumas letras formaremos a palavra ICHTHYUS que significa peixe. A união de dois arcos, forma a imagem de um peixe estilizado e representa nossa irmandade, irmãos na fé. O peixe está para a mesa do caboclo, assim como o pão está para a mesa dos povos da bíblia. Também evocam nossas práticas de caridade pela partilha oferecida quando se faz uma pesca abundante. "Tua caridade me trouxe grande alegria e conforto, porque os corações dos santos encontraram alívio por teu intermédio, irmão." (Filêmon 1,7).

A mitra ornada de ouro, com suas ínfulas pendentes trazem em cada lado o monograma XP com as letras grega alfa (A) e ômega (Ω) de vermelho e ouro. No caso do monograma Χρ, trata-se de duas letras do alfabeto grego que representam as iniciais do nome de Cristo em grego (Χριστός). É, portanto, o monograma de Cristo. A borda da Mitra e o centro trazem arabescos de grafismo indígena em ouro que lembram a riqueza simbólica herdada dos povos tradicionais que formaram a identidade cultural da população desta região. No campo branco da mitra tem 7 canoas acompanhadas de um remo que representam os 7 municípios que correspondem ao território da diocese de Coari. a Cruz e o Báculo, símbolos característicos de uma Diocese, fazem parte da composição de um brasão diocesano, conforme as regras da heráldica.

Escudo brocante sobre uma cruz processional de madeira roliça ressalta que nossa diocese tem um rosto simples de pessoas humildes, caboclos ribeirinhos que não se identificam com objetos sacros muitos luxuosos. Nossa riqueza está na nossa humildade e capacidade de viver a alegria do evangelho nas coisas simples. Por isso a opção por símbolos feitos de madeira como os encontrados nas igrejas de nossa Diocese. O báculo do mesmo, com três folhas de broto, lembram os três pilares da nossa doutrina católica, assumidas pela catequese do nosso episcopado ao longo de nossa história: a Bíblia, a Tradição e o Magistério da Igreja. 


Autor Manoel Nerys


Vida e Obra de Manoel Nerys de Almeida.

  ANTOLOGIA  DA OBRA DE    MANOEL NERYS DE ALMEIDA    Data e local de nascimento, filiação e família,   No dia 24 de maio do ano 1976...